O PROJETO

O projeto Catadoras de Mangaba, Gerando Renda e Tecendo Vida em Sergipe entra em sua segunda edição atuando junto às comunidades sergipanas onde ocorre a cata da Mangaba. O trabalho teve início em 2011 e  vem sendo realizado pela Associação das Catadoras de Mangaba e Indiaroba (Ascamai) sob patrocínio do edital público do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania, em parceria com a Universidade Federal de Sergipe e apoio do Movimento das Catadoras de Mangaba.

Com o objetivo de contribuir para o fortalecimento e sustentabilidade das comunidades extrativistas, vem implantando, nas comunidades, práticas da difusão da agroecologia, da tecnologia social, dos princípios do associativismo e do cooperativismo. Na primeira etapa superou as expectativas propostas e cadastrou 765 Catadoras de Mangaba para a realização do trabalho. Indiretamente atuou com mais de 1.357 famílias que trabalham em terras devolutas ou de terceiros. As linhas de ação do projeto são geração de renda e oportunidade de trabalho. Os temas transversais são gênero, igualdade racial e comunidades tradicionais.

Em sua primeira edição, plantou sementes e colheu frutos como a organização deAssociações de Catadoras de Mangaba nos municípios participantes: Estância, Indiaroba, Barra dos Coqueiros, Pirambu, Japaratuba e Itaporanda D’ Ajuda; o aumento da geração de renda das extrativistas através do lançamento das linhas de comercialização Frutos de Quintal, Frutos da Restinga e Frutos Desidratados; e a consolidação da cultura tradicional das Catadoras de Mangaba através do lançamento do CD Canto das Mangabeiras e do documentário Mulheres Mangabeiras.

Nesta segunda etapa, que inicia em 2013 e vai até 2015, o desafio é consolidar o trabalho já iniciado. Por isso, as atividades estarão voltadas para o aperfeiçoamento da produção e qualidade dos produtos e na inovação de duas ações.

A primeira é o registro da Cooperativa de Comercialização das Catadoras de Mangaba do Estado de Sergipe, para onde as práticas devem convergir e gerar a sustentabilidade econômica, política e social das catadoras. A segunda está no compromisso de criação da Identificação Geográfica para os produtos da Mangaba. Esta ação potencializará a cultura da mangaba nacionalmente e internacionalmente. 

Ao final dessa segunda edição se espera obter como resultados a constituição e organização da Cooperativa de Comercialização das Catadoras de Mangaba de Sergipe composta por mulheres extrativistas dos sete municípios contemplados nessa proposta, com capacidade de multiplicar os conhecimentos adquiridos em produção e comercialização. E, assim, aumentar a geração de renda, fortalecer o Movimento das Catadoras de Mangaba e melhorar a vida das Comunidades Tradicionais de extrativistas em Sergipe.

A associação proponente

A Associação das Catadoras de Mangaba e Indiaroba (Ascamai) é uma organização sem fins lucrativos articulada com o Movimento das Catadoras de Mangaba e composta por mulheres extrativistas da mangaba em Sergipe. Foi criada em 2009, visando abrir espaço para que as Catadoras pudessem, por meio de um trabalho coletivo, fomentar ações ecologicamente sustentáveis e socialmente justas, capazes de promover seu desenvolvimento socioeconômico.

A mangaba nativa e os mariscos garantem a sobrevivência de dezenas de comunidades da região costeira do Estado. No entanto, a especulação imobiliária, a carcinicultura e a monocultura são desafios que estão comprometendo as vidas de milhares de pessoas não somente sob o aspecto da segurança alimentar e nutricional, uma vez que a maior fonte de renda dessas famílias é proveniente das atividades extrativistas, mas também cultural.

Por isso, ao verificarem que as mangabeiras, reconhecidas como árvore símbolo do Estado de Sergipe, conforme Decreto Lei nº 12.723 de 20 de Janeiro de 1992, estavam sistematicamente sendo arrancadas pelos projetos imobiliários e de monocultura, ou mortas pelos venenos derramados pelos tanques de carcinicultura, as mulheres reunidas no I Encontro das Catadoras de Mangaba de Sergipe, decidiram levantar suas vozes e, com participação (ajuda) de pesquisadores e das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão (Mota et al., 2008), realizaram, em 2007, o I Encontro das Catadoras de Mangaba. Surgiu aí o Movimento das Catadoras de Mangaba de Sergipe. 

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