Mulheres organizadas em rede solidária criam sua própria marca

28/05/2018, 16:45

O conceito da comunicação comunitária, àquela feita com, pela e para a comunidade, orientou a oficina criativa de construção da marca do projeto Rede Solidária de Mulheres de Sergipe, desenvolvido por meio da Associação das Catadoras de Mangaba e Indiaroba (Ascamai), com patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental, realizada no último sábado, 26, no Hotel Sesc Atalaia, em Aracaju, em parceria com o Sesc Sergipe.

Conduzida pela jornalista Rita Simone e a designer gráfico Clarissa Rocha, a oficina reuniu mulheres dos municípios de Carmópolis, Indiaroba, Estância, Barra dos Coqueiros, Pirambu, Japaratuba que, juntas deram os primeiros passos para fazer nascer a identidade visual de uma importante rede de solidariedade e compartilhamento de saberes, para a organização do trabalho coletivo e a geração de renda.   

Através de uma metodologia participava,toda história de vida das mulheres presentes, contribuiu para despertar os elementos necessários à composição da marca da nossa rede solidária. Para isso, foram desenvolvidas dinâmicas de construção dos círculos das cores, criação dos crachás e apresentação individual das protagonistas, desenho livre e discussão sobre o processo de criação de uma marca.

De acordo com a jornalista Rita Simone, da dinâmica inicial de acolhimento à avaliação final do dia, tudo foi planejado nos mínimos detalhes para deixar as mulheres à vontade umas com as outras e, então, fluir o processo criativo absorvendo ao máximo os saberes populares de cada mulher e a forma como elas se vê representadas, como se enxergam e se percebem no mundo.

“A metodologia de comunicação participativa se articula na dinâmica da comunidade, e na definição dos sujeitos envolvidos. Para nós, o processo de criação da marca precisa evidenciar quem são essas mulheres, quais suas aspirações, o que elas precisam e como podem agir coletivamente para atingir seus objetivos e melhorar suas vidas. Esse é o sentido da identidade. Sem reunir esses elementos até poderíamos ter uma marca, mas nunca uma verdadeira identidade com sentimento de pertencimento”, explica Rita.

E quem são essas mulheres? Catadoras de Mangaba, pescadoras, artesãs, funcionárias públicas, trabalhadoras desempregadas, donas de casa, avós, mães, filhas, casadas, solteiras, divorciadas. Sonhadoras. Mulheres guerreiras dispostas a caminharem no mesmo passo. Para Gilvânia, Catadora de Mangaba, a oficina alimentou “a vontade é de crescer juntas”. Já Márcia, dona de casa, acredita estar vivendo a abertura de “um bom novo ciclo, depois de outro ruim que acaba de se fechar”.

“Fortalecer as mulheres, através de sua auto-organização, é a essência do trabalho da rede solidária que estamos construindo, para promover o desenvolvimento socioeconômico delas, valorizando os usos tradicionais e saberes da sociobiodiversidade e fomentando ações ecologicamente sustentáveis e socialmente justas”, afirma Mirsa Barreto, coordenadora do projeto Rede Solidária de Mulheres de Sergipe.

  

ENVIAR
IMPRIMIR

Anteriores: